23/02/12

Isso é problema seu

É impossível andar com uma cadeira de rodas pelas calçadas próximas a minha casa, muitas delas simplesmente inexistentes ou, quando existentes, descontínuas e quebradas. Muitas vezes, obrigam-me a andar pelas ruas, mesmo a pé e senhor de meu caminho, dividindo o espaço com os carros. O entulho se acumula nos terrenos baldios, onde cresce vistoso o matagal, me obrigando a dedetizar a casa constantemente e criando espaço onde podem se esconder marginais de toda a espécie. O condomínio em que moro registrou ao menos três assaltos nos últimos tempos, assim como os demais na vizinhança. Alguns de meus amigos já foram assaltados, vários perderam seus relógios, tênis e celulares, levaram o carro de um deles certo tempo atrás. As ruas do entorno, projetadas apenas para a circulação local de veículos, foram transformadas em vias de ligação norte-sul da cidade, recebendo fluxo de veículos muito superior a sua capacidade. As únicas novidades que a rua de casa registra são buracos novos ou maiores. O mesmo ocorre nas ruas abaixo e acima de casa. Prédios são aprovados em nome da exploração imobiliária sem que nada seja feito em favor dessa nova população. Há vários pontos sem iluminação pública. Uma rodovia corta meu bairro ao meio sem que haja passarelas ou túneis.

Antes que pensem que estou falando de algum bairro afastado de uma cidade qualquer, não, não estou. Refiro-me à Zona 7 de Maringá (que na verdade é um conjunto de bairros) orbitando em torno da Universidade Estadual de Maringá. Ciclovias por aqui não há. Praças por aqui não há. Não sei onde fica a Unidade Básica de Saúde mais próxima (tampouco o site da prefeitura sabe informar-me). O único local adequado aos esportes e lazer de que disponho para confraternizar com meus amigos e vizinhos, o entorno do Estádio Willie Davids, é também um dos locais mais perigosos da cidade ao cair da noite.

Esse ano, 2.730 novos cidadãos começaram a circular pela redondeza, na desejada condição de universitários, muitos deles vindos de outras cidades em busca da qualidade de ensino oferecida pela que foi considerada, recentemente, a 19ª melhor universidade da América Latina, dona de alguns dos melhores cursos do país.

Se no campus universitário há opções de lazer incluindo sessões de cinema, instalações de arte, quadras poliesportivas, pistas de caminhada, museus e teatros, a situação é completamente inversa transpondo seus portões.

É preciso que nós, que vivemos no entorno e em função da Universidade, somando 5% da população de Maringá e 7% do total de votantes da cidade, tomemos consciência de que nosso voto tem valor para de que possamos exigir a atenção necessária (já que asfalto bom, iluminação pública e calçada bem cuidada, saúde e segurança não são melhorias, mas obrigações da administração).

Este ano teremos eleições municipais e o anúncio de milagres já começou: novas obras serão iniciadas na Avenida Brasil e na praça da Catedral sem que sequer tenham concluído todo o ‘novo’ Parque do Ingá. O prazo de transferência de títulos termina em breve e, se você estiver morando em Maringá, é preciso que transfira seu título, sob pena de continuar vivendo com os mesmos problemas pelos próximos QUATRO anos.