13/01/12
Wagner Belinato
Tem, sim senhor. E a notícia não é boa a não ser para um círculo limitado de interessados: a Rede Globo, que fatura alto com seu principal produto de verão, os participantes, que faturam alguns minutos de fama (a mais do que já tem, em alguns casos) e, claro, os patrocinadores, que enchem as burras de dinheiro vendendo os produtos anunciados no programa.
Esta é a 12ª edição do Big Brother. 160 participantes (54 paulistas e 37 cariocas, mais de 50% dos membros), já estiveram lá. 56 já pousaram nus, 10 homens e 46 mulheres. Foram distribuídos R$10.000.000,00 em prêmios e a presente edição promete entregar mais R$1.500.000,00. Considerando que o programa fica no ar por volta de uma hora diariamente e considerando, modestamente, que cada edição do programa fica no ar por em média 3 meses, já foram exibidas 990 horas na televisão aberta. Antes de tudo, devo avisar que não sou nenhum fanático pelo programa – as estatísticas acima foram coletadas rapidamente na internet.
Caso, ainda, você não se interesse por nenhuma das estatísticas acima e acha que o programa é uma grande besteira (ideia da qual compartilho), vou mostrar as estatísticas de outro ponto de vista:
Se algum ganhador resolvesse, benemérito, converter todo seu prêmio em livros e doá-los a alguma biblioteca (ele não tem nenhuma obrigação de fazê-lo, claro, já que para ganhar a quantia teve de expor sua vida em rede nacional), teríamos, ao preço médio de R$40,00 (o preço de uma boa edição), 37.500 novos livros. Se todos os prêmios entregues até hoje tivessem o mesmo destino, o total de livros subiria para 250.000 exemplares, com a mesma média de preços, que é exagerada para compras em atacado.
Se apenas um dos patrocinadores da presente edição do Big Brother resolvesse investir o montante pago pela cota de patrocínio (R$20.600.000,00 – valor em geral maior que os prêmios pagos pelos concursos da Mega Sena) para o mesmo fim, seriam 515.000 exemplares. Caso todos o fizessem (são 5 patrocinadores), o total seria de 2.575.000 – isso mesmo: dois milhões, quinhentos e setenta e cinco mil livros – destinados, claro, à leitura.
Se nenhuma dessas pessoas ou empresas resolve começar a boa ação, há ainda uma solução mais simples: se você, no mesmo minuto em que o programa começasse, desligasse a televisão, voltando a ligá-la ao final do programa e empregasse o tempo que gastará para assistir, diariamente, o novo Big Brother para leitura, você leria uma média de 50 páginas diariamente (não será necessário pagar R$40,00 pelo livro, há edições de bolso com preços iniciais de R$6,00). Considerando que cada livro contém uma média de 250 páginas, seriam lidos 18 livros até o final da 12ª edição do programa, mais que a média nacional de 4,7 livros/ano e acima da média da Suécia, Noruega e Finlândia, países que mais lêem. Pense nisso.

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