09/02/12

Big Brother e a sociedade brasileira

Refletindo sobre a “mobilização paralizante” que o Big Brother causa na sociedade brasileira,o fenômeno me intriga : Por quê um programa como “esse” causa tanta impacto e repercussão no público ? Ou,indo mais longe (ou nem tanto) usando um sociologismo “achista” nada empírico : O que o Bbb tem á ver com a sociedade brasileira ? Dada a tamanha identificação do programa com o imaginário social ?

Primeiramente creio que o “bisbilhotar” o próximo e cuidar da vida alheia é algo muito comum em nossa cultura personalista que supervaloriza o indivíduo,como observava Sérgio Buarque de Hollanda,apontando nossas características identitárias desde os tempos da colonização que deram o tom de nossa cultura.

Além da sexualidade explícita e sem maiores constrangimentos da emissora ao transmitir cenas com conteúdo quase erótico em horários nem tão alternativos assim.Com certeza a sexualização precoce que presenciamos cada vez mais latente me nossos jovens,deve-se em grande parte pela “liberalidade demasiada” em que a mídia expõe seus conteúdos visando apenas o ganho da audiência,desprovida de qualquer padrão moral ou compromisso com a educação de seu público,somando-se ao fato de passar a imagem do sexo como algo pejorativo e o corpo como uma mercadoria a ser exibida e eventualmente até leiloada pela primeira revista masculina com fotos de nudez.

O programa reflete muito da era pós moderna em que vivemos,época em que é exaltado “o prazer aqui e agora”,o lucro fácil a exposição da imagem e do estético sem uma análise de seu conteúdo,valores de uma sociedade imediatista e utilitarista guiada por um mercado de consumo que cada vez mais necessita de pessoas como produtos,para que assim divulguem produtos e lucrem com a lógica perversa de um capitalismo humano apenas em sua aparência. Prova disso são personalidades dos “brothers” criadas estratégicamente visando o público alienado como massa de manobra. Assim sempre aparecem as cativantes ou os polêmicas personalidades,na maiorira das vezes escondendo sua personalidade real ,já que sabem que estão sendo constantemente filmados para o grande circo armado que se tornou a televisão brasileira.

Desse modo,há de se considerar que não existe espetáculo sem plateia,nesse sentido a audiência do programa é explicada pelo mesmo satisfazer as necessidades simbólicas de seus telespectadores. Não sei se podemos culpar o povo pelo consumo voraz do lixo cultural,uma vez que esse historicamente não foi educado para pensar e sim para contemplar o que lhe é imposto,tanto na arte como na política,e nos múltiplos ordenamentos e imperativos do mundo social. No mundo pós-moderno, dos valores estéticos,da supervalorização da imagem e do prazer os 15 minutos de fama caem como luva, quem ganha são as emissoras,os anunciantes milionários,e os “talentosos brothers”,ou “heróis” como diz o quase satírico apresentador invertendo todos os valores possíveis,quem perde com tudo isso,com certeza é a sociedade.